#2 Passado, presente e futuro: as ações de preservação da Bacia

Rádio Cultura Guarapuava
3 min readJun 16, 2021

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Rio das Pedras, em Guarapuava, há poucos metros do ponto de captação da Sanepar. Essa água abastece a população do município. Foto: Cléber Moletta/Rádio Cultura Fm Guarapuava.
Rio das Pedras, em Guarapuava, há poucos metros do ponto de captação da Sanepar. Essa água abastece a população do município. Foto: Cléber Moletta/Rádio Cultura Fm Guarapuava.

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Guarapuava, atualmente, não enfrenta problema de escassez de água. Não falta e a qualidade é boa. Mas, nem sempre foi assim.

Na época, aqui na Sanepar, a gente percebia que a água se encontrava com aspecto de poluição. Em termos de coliformes fecais chegava a ultrapassar a 3, 4 ou 5 mil unidades formadoras de colônia a cada 100 ml, e a legislação permite no máximo mil, afirma Elizeu Grzeszezyzen, técnico em saneamento da Sanepar.

A afirmação de Elizeu, um dos responsáveis por tratar a água que chega na torneira dos guarapuavanos, se refere ao final do anos 1990. Sobre a época, ele relatou uma situação bem diferente da atual. Além do excesso de coliformes fecais, oriundos de fezes de animais, havia problema de sedimentos que dificultavam o tratamento da água.

Tínhamos problemas de turbidez, que são materiais suspensos na água. A legislação diz que não pode passar de 100 unidade a cada 100 ml, nós passávamos de 3 mil, lembra Elizeu.

Diante daquele cenário, a Sanepar recorreu a parceiros para que cada um, dentro de sua capacidade técnica, pensasse soluções para corrigir os problemas. Foi então construído um plano de manejo da bacia que ordenou o uso no local.

E se nada fosse feito? Em 20 anos a população aumentou, a demanda por água, naturalmente, também. Atualmente são distribuídos 647 mil m³ para as casas e empresas guarapuavanas.

É um manancial perfeito? Não, e é nisso que estamos trabalhando agora, afirma Celso Alves Araújo, Secretário Municipal de Meio Ambiente de Guarapuava.

Uma das estratégias da administração municipal foi se aproximar da academia, aproveitando o conhecimento de professores e pesquisadores da Unicentro (Universidade Estadual do Centro-Oeste) para conhecer melhor a área. Um diagnóstico socioambiental foi contratado e será usado para definir as estratégias de proteção da bacia.

Norteada por esse diagnóstico, as ações de conservação serão realizadas. Parte delas será executada graças a um projeto aprovado e que garantiu recursos do Ministério da Justiça. Nesse projeto, de R$ 2,8 milhões, serão plantadas 100 mil árvores na bacia.

O Instituto Água e Terra já produziu as 100 mil mudas, só não vamos plantar agora porque estamos no inverno, que é muito rigoroso na região, por isso vamos plantar em setembro, explica Celso.

A bióloga e gestora de projetos da Secretaria de Meio Ambiente de Guarapuava, Selba Regina Peres Lopes, conta ainda que o projeto vai financiar outras duas ações. Uma delas é a proteção de nascentes usadas para consumo das famílias que vivem na região.

Fizemos uma identificação das nascentes por imagens de um voo, mas estamos indo a campo identificar as nascentes que serão protegidas pela técnica solo-cimento, esclarece Selba.

Já a requalificação de estradas com pedras irregulares vai priorizar os trechos mais próximos aos rios e mais sensíveis, devido ao relevo. O objetivo é evitar que sedimentos sejam levados para o rio pela água da chuva.

BÔNUS:

COMO É FEITO O TRATAMENTO DE ÁGUA?

O técnico em saneamento da Sanepar, Eliseu Grzeszezyzen, falou sobre os métodos utilizados para tratamento da água para que ela chegue com qualidade em sua casa.

Confira as outras reportagens da série Rio das Pedras: nossa água de cada dia.

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